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Galerias não faltam na região central da cidade. A mais famosa delas é a Galeria do Rock (Shopping Center Grandes Galerias), na Rua 24 de Maio. Três prédios ao lado, no número 116, fica um edifício comercial popularmente chamado de Galeria do Reggae, mas seu nome oficial é Galeria Presidente. A maior parte de suas lojas é voltada para a cultura black. São lojas de roupas, discos e  capoeira, e também cabeleireiros especializados em cabelos afro. “Nosso público já estava concentrado aqui, e por isso nós viemos”, diz João Kleber da Silva, um dos sócios da grife Pegada Preta. “Desde os anos 60, os black powers se encontravam nesse lugar.”

A Pegada Preta, que ocupa um espaço no piso Rua Alta, completou seis anos este mês. A grife surgiu a partir de um grupo de samba rock. O líder, Sidney Alamo, passou a organizar festas de black music com o nome Pegada Preta. Durante as baladas, eram vendidas camisetas com o símbolo do grupo – até hoje, as blusas são o maior sucesso na loja. Além das roupas e acessórios para jovens, a Pegada Preta tem um salão de cabeleireiros especializado em trançar e alongar madeiras.

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Tranças, dreads e alongamentos são também as especialidades de Nenza Santiago, proprietária da Nenza&Criolezas. Ela abriu o salão em 2007, mas já tinha trabalhado em outros estabelecimentos dentro da própria galeria. Nenza começou como trançadeira no bairro do Jaçanã. “No meu bairro, diziam que eu era uma ótima trançadeira”, conta. “Quando cheguei aqui, percebi que tinha muito ainda o que aprender.” Hoje, ela trabalha no local com os dois filhos. O tratamento capilar mais pedido é o dread feito com agulha, que, assegura Nenza, é procurado por todo tipo de público, não apenas o negro.

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Na loja ao lado da Pegada Preta, a Lions Reggae Wear, o Blog do Curiocidade encontrou o rapper e escritor carioca MV Bill. Ele estava em São Paulo para participar da comemoração do aniversário da marca de Sidney Alamo e aproveitou para passear pela galeria. “Para quem gosta de música, isso aqui é a Disneylândia”, afirma, referindo-se à grande variedade de lojas de discos especializadas em reggae, soul, blues, rock, rap e diversos outros gêneros.

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MV Bill estava contente por ter encontrado na Lions camisetas de seu tamanho. Ele, que diz na música ‘Falso Profeta’ ter 1,95m de altura, não acha roupas em lugar nenhum. No Rio de Janeiro, o rapper encomenda camisas a um costureiro da Cidade de Deus. “Os negões sempre foram grandes, mas não tinham poder de compra. Então eram ignorados pelo mercado”, reclama. “O problema é que isso acontecia 15 anos atrás. Agora nós podemos e queremos comprar roupas, mas não encontramos.”

Outra marca famosa da Galeria Presidente é a Muene Cosméticos, que está lá há 20 anos. Criada por Maria do Carmo Valério, a fabricante tem nove tons diferentes de pancake, que vão do claro ao super escuro. A vendedora Jandy Cardoso conta que até imigrantes nigerianas compram seus produtos. “Mas elas costumam escolher tons mais claros do que a própria pele”, afirma.

Os imigrantes africanos povoam boa parte da Galeria Presidente. A partir do terceiro lance de escadas rolantes, as lojas tradicionais dedicadas à cultura negra convivem com bares e vendas que pertencem aos estrangeiros. Só por curiosidade: há também quatro boxes que pertencem à Torcida Tricolor Independente, do São Paulo, que mantém ali sua diretoria.

Serviço:
Galeria Presidente
R. 24 de Maio, 116, Centro

Lions Reggae Wear
Piso Rua Alta, lj.08, 3331-3180

Muene Cosméticos
1º andar, lj.18, 3222-0443 e 5572-4660

Nenza&Criolezas
1º andar, lj.15, 3225-0447 e 96224-8466

Pegada Preta
Piso Rua Alta, lj.09, 3337-6678

 

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