Conheci o verdadeiro pé de moleque, o original, o genuíno, há uns cinco anos. Foi um presente trazido por Nestor Soares, sócio da NeST, que cuida com o maior carinho do marketing digital do “Guia dos Curiosos”. O doce é simplesmente de outro mundo. A NeST fica em Itajubá, vizinha de Piranguinho, cidade de 10 mil habitantes no sul de Minas Gerais, conhecida como a “capital nacional do pé de moleque”. Há até uma estátua em homenagem ao doce. Só sei que comecei a sugerir cada vez mais reuniões presenciais – sem nunca esquecer de pedir para Nestor trazer alguns pés de moleque. Desconfio que ele logo sacou a minha artimanha.
A história da guloseima de amendoim e rapadura começou em 1936 na estação ferroviária de Piranguinho. Matilde Cunha Torino, mulher do chefe da estação, Modesto Torino, vendia os quitutes numa janelinha da plataforma em que os trens paravam. Se as vendas estivessem boas, o marido até dava um jeitinho de atrasar a saída do trem. Os pés de moleque faziam tanto sucesso que a filha de Matilde e Modesto, Alcéa, resolveu abrir uma barraca para vender o doce também na beira da rodovia BR-459. Pintada de vermelho, a barraca ficou conhecida assim: Barraca Vermelha. Muito mais moderna, está lá até hoje.
Agora, meu caro Nestor, podemos voltar às reuniões presenciais, fique sossegado! Os pés de moleque de Piranguinho chegaram a São Paulo. A loja foi aberta na Rua João Ramalho, 1103, em Perdizes, há dois meses. Estão à venda toda a linha de produtos da marca: pé de moça, paçoquinhas, cajuzinhos, amendoins com cobertura. Há também pão de queijo e café. Mas vamos ao que interessa: os pés de moleque, com amendoins inteiros ou moídos, são produzidos diariamente e vendidos em unidades (R$10 aqui x R$ 6,90 em Piranguinho). Os meus preferidos são os de amendoins inteiros, que podem ser embaladinhos com esmero para presente.
O que se conta é que Matilde Torino foi responsável por batizar o doce também. Ela deixava a iguaria para esfriar na janela da cozinha de sua casa. Atraídos pelo delicioso cheiro, algumas crianças da vizinhança apareciam de surpresa e levavam alguns pedaços. Sempre que flagrava um deles, Matilde resolvia dar um sermão: “Não rouba, pede, moleque”!