São Paulo para Curiosos

Doces típicos da Catalunha são vendidos há 50 anos em Perdizes

Depois de servir por dois anos no Exército da Catalunha, comunidade autônoma da Espanha que tem Barcelona como capital, Jaime Gimbernau veio se encontrar com a família que estava morando em São Paulo. A mãe, Ramona, enfrentava problemas cardíacos e o pai, Antonio, escolheu a cidade para fazer o tratamento. Em 1962, Antonio e Jaime abriram uma confeitaria com o sobrenome da família. Ela se instalou na rua João Ramalho, em Perdizes, zona Oeste de São Paulo. A novidade logo foi descoberta pelos imigrantes da região, que começaram sugerir a produção de doces catalães.

As guloseimas mais vendidas desde sempre são o brazo de gitano (R$59,90/kg), espécie de rocambole recheado com chantili; o creme catalão (R$5,00); e a ensaimada (R$9,50), doce típico da cidade de Mallorca, feito com  massa de brioche e creme de baunilha ou nata no recheio. No mês de junho, por ocasião do Dia de São João no Brasil, a campeã de vendas é a Cuca de San Juan (médio, R$50,50; e grande, R$72,50), doce que tem massa ovalada, mais ameixas, pinholes, açúcar cristal e frutas cristalizadas.

Brazo de Gitano, tradicional doce catalão, com recheio de chantili

Em 1987, a Confeitaria Gimbernau mudou-se para a rua Aimberê, no mesmo bairro, e está ali até hoje. Jaime faleceu em 2001 e deixou o negócio para seu filho, também chamado Jaime. “Trabalho com o meu pai desde os 8 anos”, conta. “É que minha mãe não me aguentava em casa, pois sempre fui meio terrível”. Jaime largou a faculdade de Educação Física para tocar os negócios. Hoje, ele comanda a produção dos doces catalães, que são vendidos somente por encomenda (o pedido deve ser feito com 24 horas de antecedência).

Além dos doces típicos, a confeitaria destaca-se pela produção de suspiros e placas de suspiro, vendidos em diferentes formatos. Faz também bolos e doces tradicionais para aniversários e casamentos. Na vitrine da loja, o cliente encontra doces tradicionais, como tortinhas de morango e limão, bolos em fatias e quindins.

O confeiteiro de 47 anos, faixa preta de judô, casado e pai de dois filhos, só teme que os filhos não mantenham a tradição da família: “Já percebi que eles não têm vontade de trabalhar com isso”, lamenta. “Eles me vêem acordando cedo aos finais de semana e feriados, e não querem seguir o mesmo caminho”. A Gimbernau funciona de segunda a sábado, das 9h às 20h, e aos domingos e feriados, das 9h às 13h.

CONFEITARIA GIMBERNAU
Rua Aimberê, 113, Perdizes
Tel. (11) 3862-3795
contato@confeitariagimbernau.com.br

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