Pipocando em vídeos nas redes sociais, a sorveteria sergipana Il Sordo já foi abraçada pelos paulistanos. “Il Sordo” significa “O Surdo” em italiano. O fundador da marca, Breno Oliveira, nasceu surdo. Tinha dificuldade em conseguir emprego por causa de sua deficiência. Quando resolveu empreender, fez um curso de gelatos e teve a genial ideia de empregar pessoas surdas como ele.

A primeira Il Sordo foi inaugurada em Aracaju em 2016 (conheci essa loja há três anos). Hoje são três lojas na capital sergipana, duas em Salvador e a primeira em São Paulo, no bairro de Pinheiros, ao lado do Instituto Tomie Ohtake (Rua Coropé, 57, Pinheiros, 97628-2432; dom. a qui. 12h/21h; sex. e sáb. 12h/22h). O apresentador André Vasco é um dos sócios da unidade paulistana.

Exemplo de acessibilidade e inclusão, a Il Sordo se orgulha de ter cerca de 80% de funcionários com deficiência auditiva em seus quadros. “Não falamos, mas nos entendemos”, diz um pequeno totem em cima do balcão. Quem entra na sorveteria pela primeira vez chega com um pouco de medo, até vergonha, de não conseguir se comunicar. Mas não há segredo: mímica ou um dedo apontado funcionam muito bem. Detalhe: fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que se comunicavam em libras (língua brasileira de sinais) com os atendentes. No caixa, por exemplo, existe um cardápio com todas as opções. Os funcionários são extremamente sorridentes e simpáticos.

São 22 sabores. Escolhi queijo minas com figo e iogurte com amarenas. Uma casquinha com duas bolas sai por R$ 25,90. A sorveteria tem um mezanino, onde funciona a cozinha envidraçada, e, no andar de cima, um rooftop, que é a área mais concorrida. Na fila de espera, dá para curtir um vídeo em que os nomes dos sabores são apresentados em libras.